Uma voz antiga
grita o indizível
o vento leva
o verbo
intraduzível
já não há muros
nem um viés sequer
tudo refulge
tudo é
Criação
18/01/2012 às 2:15 (Uncategorized)
Imperfeito
18/01/2012 às 2:12 (Uncategorized)
Podia fazer-te um poema
que nascesse dos meus lábios
dessa pontada no meu seio esquerdo
do meu peito cumulado
Podia fazer-te um poema
que me saísse dos olhos
molhados
quando veem os teus
dessa saudade caduca
que me deu
Podia fazer-te um poema
centelha
que brilhasse feito vela
no breu
Podia fazer-te um poema
exato em tudo
exceto no jeito
na sintaxe estreita
do imperfeito
Podia fazer-te um poema
alado
que logo perdesse as asas
e ganhasse o chão
sujando-se de grão em grão
Podia fazer-te um poema
sangrento
e sair de cena
por um momento
Mas o que posso
é fazer-te um poema
que reza
pede a bênção
e se entrega
inteiro
nas tuas mãos
Pedido
18/01/2012 às 2:06 (Uncategorized)
da vida
inteira
traz-me o sono
dos justos
o ocaso
dos fusos
o amanhã
do hoje
os nomes
não ditos
os sonhos
interditos
os calores
fugazes
os homens
audazes
as luzes
no porto
o céu
dos planaltos
o som
dos
arautos
o caos
inconcluso
o gesto
difuso
o amor
corpóreo
o odor
etéreo
a dor
efêmera
o gozo
de dois
o silêncio
depois